Desenrolando pequenos novelos

No expectations, no disappointments – sem expectativas, sem desapontamentos.

Essa é uma daquelas verdades absolutas. Daquelas que ninguém discute a sua filosofia, religião e política. É simples porque na verdade todo mundo já se decepcionou com alguém.

A decepção machuca, mas só machuca porque você se decepciona com pessoas que você gosta. Pessoas com quem você se importa. As que você não gosta, você nem espera nada delas, porque né?! Vamos combinar…

Umas das piores sensações que se pode ter é quando você percebe que você se importa mais com alguma pessoa, do que ela com você. Não adianta Shakespeare dizer que ‘não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam’, porque na real todo mundo quer reciprocidade na amizade, no namoro…

Rasga o coração quando você percebe que ser a segunda opção de alguém não é mais suficiente. Não estou falando de ser ‘a outra’ de um cara, estou falando de ser o estepe da amizade. Isso cansa!

Acredito que seja um problema universal dar valor pra quem não dá nenhum e não dá valor para as pessoas que realmente se importam. Às vezes é preciso que algumas coisas sérias aconteçam em nossas vidas para que possamos dar devido valor a cada um.

É bem ruim quando descobrimos que pessoas que ocupavam as primeiras posições em nossas vidas, agora não passam de meros colegas. Dói a decepção! Dói muito!

Já tentaram me consolar dizendo que esse é o ciclo da vida. Não sei se é, só sei que essa lição ‘no expectations, no disappointments’ eu ainda não aprendi.

Luto.

O coração está da cor do céu: cinza.

Há quatro anos ele estava bem carregado também. Falo do meu coração, pois do céu eu nem lembro direito.

 Eu chorei dias a fio. O céu não! Na época parecia que ele nem se importava com a minha dor. Hoje dói e ele chora comigo.

Choramos a dor da perda, a dor da saudade de quem foi e não volta, a dor da vida perdida, a dor…

Sinto falta das risadas, sinto falta das conversas, sinto falta de não te encontrar mais.

O que eu lembro de quatro anos atrás? Lembro que nessa mesma hora seu nome estava sendo escrito em cimento. Cimento fresco que selava seu túmulo e abria um enorme vazio no meu coração.

Eu e o céu choramos hoje, um choro cinza e abafado.

Itaquerão X Saúde

Faz um bom tempo que não escrevo sobre política, nem sobre a vitória da Dilma eu consegui escrever. Fiquei tão decepcionada com a vitória dela que não consegui expressar meus verdadeiros sentimentos (de pesar) sobre isso.

A situação no país está beeem complicada e isso não é surpresa pra ninguém. Em São Paulo, 39 pessoas morreram por falta de leitos no Pronto Socorro Central nos últimos meses. 32.494 pessoas foram infectadas pelo mosquito da Dengue esse ano. Esses números são assustadores!

Será que 420 milhões de reais resolveriam boa parte desses problemas? Acredito que esses milhões seriam um ótimo investimento na saúde, na educação, na construção de novas creches… e um monte de outras coisas. No entanto na cidade de São Paulo eles terão outro destino.

Em 2014 sediaremos a Copa do Mundo de futebol, e esses 420 milhões de reais serão usados para a construção do Itaquerão. Sim, isso mesmo: novo estádio do Corinthians. Tudo bem (tudo bem mais ou menos né?! Mas…) se esse dinheiro viesse de iniciativas privadas, mas não. A Prefeitura de São Paulo quer condicionar os incentivos fiscais para esse fim.

Os interesses políticos e financeiros que envolvem essas transações são muito maiores do que do que o interesse no bem da população. É uma pena que pessoas assim comandem o país, os estados e as cidades. O que se pode fazer? Não sei, mas deixar de votar não! O voto é poderoso se usado com inteligência.

É uma pena que nosso país passe por situações como essa. É uma tristeza!

Poucas palavras

Houve um tempo em que eu era dona das palavras. Elas me obedeciam, saiam da minha boca exatamente como eu queria e quando eu queria.

Nesse tempo eu transformava tudo em linhas escritas, e elas contavam as minhas alegrias, as minhas frustrações, os meus segredos… Contavam tudo o que eu queria que elas contassem.

Eu distribuía palavras, afinal elas eram muitas e tinham significados demais para ficarem presas dentro de mim.

Bons tempos esse…

Hoje eu vivo uma completa falta de palavras, parecem que secaram dentro de mim. Tudo o que eu digo sai errado, tudo o que escrevo parece ter mais sentidos do que realmente devem ter ou apenas não tem nenhum tipo de significado.

Não consigo mais usá-las como quero. Hoje, as situações se inverteram. São as palavras que me usam, elas que fazem de mim o que querem e não permitem que as use como antes.

Penso que elas acham que não dei valor a elas nos tempos de fartura. Ah se elas soubessem o quanto me fazem falta. Amo cada uma delas, das mais usadas com um ‘de’ [prep (lat de) Partícula de grande emprego na língua portuguesa, designando várias relações] até as mais esquecidas como ‘Recôndito’ [adj (lat reconditu)  Desconhecido, ignorado, indecifrável, secreto.]

Preciso conquistar a confianças das palavras novamente. Preciso delas! Eu tenho tanto a dizer, tanto a expressar. Pena que as minhas palavras fugiram…

Lágrimas

As lágrimas são empurradas suavemente pela culpa de não ter conseguido chegar a tempo de evitar o fim.

Dançam como leves bailarinas enquanto são levadas

Sentem o gosto dos lábios, que já não conseguem ter palavras

Bruscamente são arrancadas de seu caminho -nunca traçado- por uma mão pesada e repleta de repentina decisão

Decisão essa já que não tem muito sentido depois de desistir de lutar contra a culpa.

 

Meus 25 anos

No dia 11 de julho de 1986 eu nasci. A musica top do dia era Holding Back the Years do Simply Red, o filme mais assistido era Top Gun, o Oscar de melhor filme foi para o  Platoon e o livro mais vendido foi  IT de  Stephen King.

Estamos em 2011 e estou escrevendo esse texto porque acho que 25 anos não podem passar em branco. Vou listar 25 coisas que eu quero (não necessariamente coisas material e nem a paz mundial):

1. Queria que meu dia tivesse mais do que 24 horas;

2. Queria ler mais;

3. Queria conhecer mais bandas;

4. Queria escrever um livro sobre política;

5. Queria falar menos;

6. Queria ser super inteligente (tipo Sheldon Cooper – mas ser legal);

7. Queria dirigir um mini cooper;

8. Queria tocar algum instrumento;

9. Queria não ter cabelos brancos;

10. Queria fazer um mochilão pela Ásia;

11. Queria fotografar mais;

12. Queria ter uma biblioteca em casa;

13. Queria morar numa casa bem grande pra poder ter  um retriever, um weimaraner e um boxer;

14. Queria ser chef de cozinha ou pelo menos cozinhar bem;

15. Queria não ter parado de estudar italiano e francês;

16. Queria já ter assistido O Poderoso Chefão (1,2 e 3);

17. Queria saber jogar sinuca e golfe;

18. Queria não ter vendido meu cavalo;

19. Queria lutar box;

20. Queria ter mais paciência com algumas coisas;

21. Queria viajar mais para Pedrinhas e para Apiaí;

22. Queria ser crítica de cinema;

23. Queria saltar de pára-quedas;

24. Queria ver mais os meus avós em São José dos Campos;

25. Queria que minha vó não tivesse morrido.

Eu listei 25 coisas que eu queria, mas a lista é imensa. Acho que ela não tem  fim e honestamente, não gostaria mesmo que ela tivesse fim. Afinal é preciso ter essas coisas para sonhar.

Feliz aniversário para mim!

Sexto sentido?

Meu coração tem estado bem inquieto com muitas coisas e com muitas pessoas que me cercam. Tenho pensado em tanta coisa e tenho tido tão pouco tempo para absorver tudo, que estou com medo das conclusões que meu coração está tirando.

Não sou o tipo de pessoa que tem sexto sentido, ou alguma coisa assim. Na verdade eu sou bem lenta para sacar algumas coisas. Gosto que sejam absolutamente honestos comigo.

Não me importo com a sinceridade das pessoas. O que me incomoda realmente é a desonestidade. Não importa qual seja a verdade, desde que seja verdade, pode falar.

Detesto estar num relacionamento (não necessariamente amoroso… relacionamentos interpessoais de forma geral) e sentir que estão me usando, ou sentir que não estão 100% comigo.

Tenho andado muito desconfiada, não estou confiando nem na minha sombra direito. Talvez seja a falta de tempo para avaliar as pessoas que estão comigo ou talvez seja o sexto sentido que resolveu funcionar. Honestamente espero que seja a falta de tempo mesmo.

Eu só sei que vou aproveitar esse feriado para colocar as pessoas no lugar certo dentro do meu coração. Espero não ter que cortar alguém de lá…

Andy, Louis e eu.

Eu me perdi de todos os Nietzsches, de todos os Bankys. Não sei mais quem é Bakhitin ou quem é Andy Warhol. Sei apenas que permiti a invasão das zaras, dos dolces…. e assim, acabei me deixando ser devorada pelo canibalismo estúpido do consumo desenfreado e sem limites. Meu celular reconhece Prada, Louis Vuitton, mas não entende Eistein ou Jostein. Estou ficando estupida e até meu celular me chama de burra. Não ouço mais o que Clarice diz, mas sei bem o que Alice Disse. Não lembro o que o MASP representa, no entanto FYI xoxo faz mais sentido. Buscava o que não se podia tocar, e através disso encontrei o verde palpável da destruição. Minha estupidez roubou meus planos e minhas referências. Vivo de um vento que tudo levou. Precisei viver o concreto para produzir o abstrato, ou o contrário- já não lembro mais a ordem que altera o produto final- só sei que precisei. As coisas estão mais simples pra mim (ou não!). Sem muitos questionamentos (?). Sem muitas alterações (!). Vivo (vivendo) do jeito que Weber sempre sonhou. Vivo simples o confuso.

Para B.M; A.K. e G.M. (H)

Minha carta

Hoje eu passei perto da sua casa. Senti uma tristeza imensa. Lembrei  de quando eu era criança. Senti vontade de chorar ao lembrar o quanto você me faz falta. Parece que parte de mim foi embora com você aquele dia.

Quando eu paro pra pensar que eu nem me despedi –apropriadamente- de você, me arrependo de não ter ido te ver na sua ultima semana aqui. Eu tive medo de te ver.

Meu coração palpita muito mais rápido quando eu ouço uma voz parecida com a sua. Ou quando eu vejo alguém que parece com você. Não aprendi a lidar com a sua ausência. Talvez jamais aprenda.

Hoje por exemplo, é um dia que eu queria compartilhar com você, afinal de contas você viu parte da minha luta. Queria poder te falar tantas coisas….

… o tempo passou e vai continuar passando sem dó de mim ou de qualquer outra pessoa.

Uma vez eu li uma história de uma neta que perdeu seu avô e escreveu uma carta pra ele, depois de escrevê-la, a garotinha amarrou várias bexigas de gás a carta e depois a soltou na esperança de que seu avô pudesse recebe-la no céu. Por causa da minha racionalidade, eu não acredito que a carta tenha chegado até ele. Estou contando isso porque já faz 3 anos, que todo dia 9 de dezembro eu escrevo uma carta. Não a amarro num balão, mas posto aqui. Não na esperança você ler, simplesmente para poder compartilhar minha saudade e dor com quem lê meus textos.

Estou no céu agora. Estou escrevendo essa carta dentro de um avião. Essa sim, eu tenho a esperança que você leia.

Vó, amo você!

Beijos,

Sua neta Camila

histórias e palavras

As melhores histórias são as não escritas. São as que acontecem e ninguém conseguiu registrá-las. São histórias egoístas. Histórias minhas e suas, de ninguém mais. São histórias simples, mas que guardam os melhores sentimentos.

Sentimentos são únicos, funcionam como sua forma de interação com o mundo. Sentimento não se dá, pode até ser dividido, mas nunca os divida em partes iguais. Você precisa guardar a maior parte com você, isso serve para você lembrar de tudo o que você viveu. Eu não posso dividir todos os meus sentimentos. Preciso guardar um pouco comigo. Sentimentos são impossíveis de se explicar com palavras.

Palavras podem acariciar, podem bater. Palavras podem esclarecer ou confundir. Palavras são poderosas. Palavras podem construir sentimentos e podem nos contar nossas melhores histórias.

Por isso escolha suas melhores palavras e use-as em nossas histórias.

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