Ele estava lá, como todos os dias esperando ver Amália.
Amália tinha 16 anos quando ele a conheceu. Ela era bem branquinha e tinha o cabelo bem preto. Parecia uma boneca de porcelana.
Ele estava com 14 anos quando a conheceu. Ele até tentou, mas não resistiu e se apaixonou por Amália. Ele a amou desde o primeiro dia em que a viu usando um vestido branco com florzinhas amarelas.
O que um garotinho de 14 anos poderia entender sobre o amor? Simples: ele não entendia, apenas sentia. Sentia um amor maior do que seu coraçãozinho podia aguentar, mas ele não se importava. Ele a amava.
Amália estudava no colégio Coração de Maria, que ficava na esquina da casa dele. Ele saia todos os dias de casa e ia (secretamente) encontrar-se com a imagem de Amália. Amália não o conhecia. Ele ficava do outro lado da rua, atrás da arvore só espiando e esperando ela passar.
Havia dias em que ele a acompanhava até em casa. Claro que sempre de longe, apenas observando e cuidando. Afinal ele a amava.
Quando ele tinha 18 anos, seus pais o mandaram para São Paulo. Fora morar sozinho e fazer faculdade de medicina.
Ele voltou 15 anos depois, formado Médico e com a esperança de ver Amália, a Amada.
Para sua surpresa, Amália não estava mais na cidade. Havia se mudado para São Paulo também. É impossível colocar em palavras o que ele sentiu naquela manhã.
Depois de três dias de desilusão a campainha da casa de seus pais tocou. Era Amália, a Amada. Ele abriu a porta e antes que pudesse expressar qualquer coisa ela pendurou-se no pescoço dele e tascou-lhe um beijo. Sabe beijo de cinema? Então.
Quando recobraram a cor e o fôlego, ela disse:
-Me senti sozinha sem você para me vigiar todos os dias. Quando soube que tinha ido morar em São Paulo eu fui atrás de você na esperança de te encontrar. Desculpe-me se me atrasei uns anos.
-Não se preocupe , você chegou na hora perfeita!